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    15/07/2008 31/07/2010 09:22

    O Brasil e a Internacionalização

    Portal HSM

    Acaba de sair o relatório anual sobre expatriação da multinacional GMAC (2008 Global Relocation Trends Survey report by GMAC Global Relocation Services). Sendo esse um relatório que comemora seu 13º aniversário, ele acaba servindo como um dos melhores referenciais quando falamos de processos de expatriação e internacionalização de empresas, dada a escassez de pesquisas na área.

    Para a elaboração do relatório, a GMAC entrevistou um total de 154 organizações localizadas ao redor do mundo, sendo 50% delas com seus headquarters nas Américas, 48% no eixo Europa, Oriente-Médio e África, e 2% no eixo Ásia-Pacífico, cenário que contempla, segundo dados do próprio relatório, um total de 4.3 milhões de pessoas.

    As informações contidas no relatório demonstram, acima de tudo, um teor otimista para o setor. Destaca como já sabido por muitos a grande importância das famílias nos processos de expatriação e informa de maneira inovadora o destaque que os RH das empresas vêm dando aos processos de seleção de perfil dos candidatos antes da partida no intuito de minimizar as perdas e aumentar o retorno desse tipo de investimento para as empresas.

    Não obstante, as estatísticas sobre os números de turnover de profissionais envolvidos em processos de expatriação ainda assustam. Segundo o relatório, o turnover de funcionários locais representa 13% enquanto para funcionários expatriados bate a casa dos 25% durante o assignment e 27% no primeiro ano da repatriação.

    São várias as conclusões que podemos tecer a partir desses dados, mas outras estatísticas presentes nesse relatório chamaram ainda mais nossa atenção. Estatísticas essas que destacam nosso país, o Brasil, como um dos lugares de maior desafio para a internacionalização das empresas.

    Segundo a pesquisa, os cinco países de maior fluxo de expatriação são Estados Unidos, China, Reino Unido, Cingapura e Alemanha, e num total de 21 países que compõem essa lista, o Brasil não aparece. No entanto, quando se trata de principais destinos emergentes, encontramos, em ordem de importância, China, Índia, Rússia, Polônia, e nosso Brasil aparece em 12º lugar.

    O dado assustador é que quando perguntados sobre os destinos de maior desafio e dificuldade, os gerentes de operações de expatriação apontam respectivamente China, Índia, Rússia, Estados Unidos e Brasil, enquanto os expatriados apontam, China, Índia, Rússia e Brasil. Considerando que China, Índia, Rússia e Estados Unidos estão entre os países de maior fluxo de expatriação, é esperado que eles também apareçam na lista de maiores desafios. Mas o que nós, Brasil, estamos fazendo em 5º e 4º lugar nessas listas?

    Desde o famoso quadro de "Cultural Clusters" lançado por Simcha Ronen and Oded Shenkar em 1985 ("Clustering Countries on Attitudinal Dimensions: A Review and Synthesis"), o Brasil já vinha sendo apontado como um dos 4 países que, dadas suas peculiaridades, não poderiam ser enquadrados em nenhum dos grupos com forma de negociações culturais semelhantes. Nesse caso, os países que apresentavam a mesma dificuldade de agrupamento além do Brasil, seriam Japão, Índia, e Israel.

    É chegada a hora de refletir sobre nosso posicionamento no mundo da internacionalização. Os brasileiros são conhecidos lá fora pelo seu alto grau de adaptabilidade e flexibilidade, herança do nosso homem cordial que bem sabe como lidar com situações adversas. Mas também precisamos encarar a realidade da complexidade desse nosso sistema extremamente informal, personalista e burocrático.

    Se quisermos mudar nossa imagem de "país do futuro" e fazer com que o futuro aconteça já, nós brasileiros necessitamos desenvolver auto-conhecimento a ponto de reconhecer o quão difícil podemos ser para os outros, diferentes que aqui chegam, querendo investir dinheiro e conhecimento.

    Por Mariana Barros, Kelly França e Chryscia Cunha, da Differance International Consultants.

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